sábado, 22 de março de 2014

Insólitos Sistema Nacional de Saúde Inglês

Hoje fiquei a saber que a pior altura para se ir ao hospital é em Agosto. No Reino Unido os recém licenciados de Medicina começam sempre a trabalhar em Agosto o que geralmente coincide com um aumento de mortes nos hospitais do NHS (serviço nacional de saúde inglês) - é a chamada THE KILLING SEASON!


Também deve ser porque coincide com as férias do pessoal!!

Os Veterinários Suicidam-se aos Mil




No Reino Unido há alguma preocupação com a saúde mental dos veterinários. Nota-se pela presença de instituições de caridade que se dedicam ao assunto assim como alguns inquéritos que a Ordem distribui pelos veterinários. Tudo começou por um estudo feito há algum tempo que demonstrou que a taxa de suicídios entre veterinários é 4x mais elevada do que o resto da população e 2x mais alta do que profissionais de outras áreas da saúde. Não sei como será em Portugal, mas no Reino Unido é normal conhecer-se um veterinário que se tenha suicidado! 

Os estudos sobre o suicídio não devem ser particularmente fáceis de realizar. Na altura foram apontadas algumas causas para os suicídios entre veterinários - apresento-as aqui em seguida, juntamente com a minha opinião pessoal. Provavelmente será igual para outras profissões, a diferença talvez seja no facto que os veterinários são os únicos com acesso ao "precioso" líquido amarelo que oferece uma morte tranquila.

- Os veterinários tendem a desenvolver personalidades workahólicas em que sentem a contínua necessidade de evoluir na carreira. Habituaram-se a estudar desde novos e muitas vezes é a única coisa que sabem que conseguem fazer bem. Claro que é impossível saber tudo de oftalmologia, cardiologia, dermatologia, cirurgia, imunologia, hematologia, medicina de animais exóticos, gastroenterologia, oncologia, urologia,..., o que faz com que o veterinário muitas vezes tenha sentimentos de culpa quando lê um livro normal em vez de um livro técnico, ou quando vê um filme em vez de uma aula online de um curso pelo qual pagou 500 libras mas que não têm paciência para pensar nisso fora do horário de trabalho.

- Como o esforço para entrar na profissão e para exercer é elevado, as expectativas relativamente à vida profissional acabam por ser demasiado altas e muitas vezes não correspondidas. Os investimentos pessoais são muitas vezes postos de lado, não havendo um suporte pessoal concreto quando o lado em que se investiu falha.

- a profissão é stressante, começando pela dificuldade em entrar na universidade. Existe pressão contínua de se ser bem sucedido na escola, durante a universidade e no trabalho. A entidade empregadora muitas vezes não é particularmente simpática, especialmente em Portugal em que os horários de trabalho não são respeitados. Muitos veterinários trabalham até tarde, sábados, domingos e muitas vezes durante a noite, acabando por não conseguir equilibrar a vida pessoal com a vida profissional. No ponto de vista do veterinário a remuneração ao final do mês raramente compensa o esforço profissional. Mesmo quando no Reino Unido um veterinário ganha o dobro ou o triplo do que em Portugal, há sempre a percepção que o trabalho é mal pago. 

- O dia do veterinário é sempre imprevisível, a semana pode ser verdadeiramente exausta ou muito entediante. Acaba por ser complicado prever a disponibilidade para outras coisas fora do trabalho.

- A profissão é viciante porque que o veterinário tem de "resolver puzzles" e muitas vezes existem resultados imediatos. Todos os dias são diferentes! Esta "montanha russa" de dias espectacularmente interessante com dias em que corre tudo mal não pode fazer bem a ninguém.

- O veterinário é treinado para pensar que a qualidade de vida é mais importante que a quantidade, e que a eutanásia é necessária quando não existe bem-estar. Esta crença é facilmente extrapolada para questões pessoais.

- O veterinário tem acesso a um "suicídio fácil". Tem a chaves da clínica e acesso aos medicamentos. O veterinário está familiarizado com o processo da eutanásia e sabe o que esperar se injectar o"líquido amarelo na veia. O veterinário sabe encontrar veias facilmente.

- Muitos veterinários automedicam-se com valium em vez de procurarem ajuda profissional. O acesso a outras drogas como a metadona, a quetamina e o óxido nitroso (o gás que faz rir) também é fácil, se bem que nas clínicas mais evoluídas existe um registo de utilização das drogas e controlo das quantidades utilizadas. Claro que com um bocadinho de trabalho não é difícil dar a volta a essa questão. Aqui no Reino Unido há rumores de veterinários viciados em buprenorfina.

- Muitos veterinários trabalham sozinhos não tendo ninguém para desabafar. Eu fico muito contente com o facto de trabalhar com pessoas com quem posso discutir a abordagem a clientes difíceis e me ajudem e suportem nas decisões clínicas. O que eu noto aqui no Reino Unido é que entre colegas existe a mentalidade "o colega veterinário tem sempre razão e fez o seu melhor com os instrumentos que tinha" enquanto que em Portugal a abordagem é diferente "o colega veterinário fez asneira, não posso confiar nele, o cliente tem sempre razão".

- Existem muitas queixas de veterinários e às vezes as consequências são graves, todos os anos aparecem notícias com fotografias de veterinários que erraram numa decisão de um caso clínico e que deixaram de poder exercer. Aconteceu há pouco tempo com um veterinário que foi expulso da Ordem por demorar muito tempo a ir a uma quinta eutanasiar um cão que estava em sofrimento,  por ter sido atropelado pelo dono. Mas pelo que ouvi, nos Estados Unidos é mil vezes pior.

- O veterinário tem que ganhar algum traquejo no controlo do envolvimento emocional com a profissão. Se opta pela postura de não se preocupar e não demonstrar sentimentos de empatia com o cliente e com o animal, corre o risco de ser mal interpretado e perder o cliente, que regra geral procura o veterinário mais pela sua capacidade de compreensão do que pelos conhecimentos técnicos. Lidamos com animais e não com pessoas, no fundo o mais importante não é descobrir o tipo de linfoma que o "Bolinhas" tem, mas como decidir conjuntamente com o dono a melhor forma para que o animal tenha qualidade de vida no tempo que lhe resta. Muitos dos veterinários que evitam "simpatizar" com os donos, porque realmente é muito cansativo, reencaminham as suas carreiras para a área da cirurgia. Por outro lado quando se passam muitas horas adoptando a frieza profissional, acaba-se por correr o risco de esta "se colar" à personalidade, e de transportá-la para a vida pessoal, originando falta de emoção e falta de empatia para com as outras pessoas em geral. 
O lado oposto desta postura consiste no veterinário demasiado emocional que o cliente adora, mas que anda sempre cansado porque se preocupa demasiado, dorme mal de noite a pensar nos casos, mas que estabelece laços com o cliente e chora quando tem de eutanasiar a única companhia da simpática senhora de 90 anos a quem todos os familiares morreram. Estes veterinários acabam por ser escravos emocionais da profissão e não se conseguem desligar quando vão para casa ao final do dia, ficando preocupados com o animal que ficou internado. "Será que vai morrer durante a noite quando ninguém estiver lá?" "será que vai arrancar o soro e ficar a sangrar do catéter?" "Será que dei os medicamentos certos?" "Será que me enganei no diagnóstico?" "Será que deveria ter eutanasiado o animal?" Tudo pode correr mal. Tive uma colega veterinária que pertencia a esta categoria. Fez um empréstimo ao banco para conseguir tirar o curso de medicina veterinária e acabou por desistir da profissão no primeiro ano em que esteve a trabalhar connosco. Começou a ter ataques de pânico durante as cirurgias e não conseguia lidar com muitas coisas que aconteciam na clínica, ficando a chorar. Acabou por ir trabalhar para o restaurante do IKEA, tendo de pagar agora por 40 anos as prestações ao banco por um curso que não exerce. Tenho esperança que ela no futuro possa adaptar a sua personalidade à profissão, ou então que consiga um emprego numa das outras áreas da veterinária.

Ou seja para se ser veterinário é preciso:

- gostar de animais e achá-los interessantes
- gostar de conversar com pessoas
- gostar da imprevisibilidade
- gostar de fazer teatro e de improvisar
- gostar de resolver problemas sob pressão
- gostar de estudar

Se fores estudante e não tiveres estas características - escolhe outra carreira enquanto é tempo!

domingo, 1 de dezembro de 2013

A Amazon e as Compras de Natal


É oficial! Cada vez mais os ingleses recorrem à Amazon para comprar coisas. É tão fácil! Basta um "clique" no computador ou no telemóvel e passados uns dias o pacote aparece à nossa porta (ou no nosso local de trabalho). Até se podem fazer "wish lists" - listas de coisas que gostaríamos de ter mas que não temos coragem de comprar! Este fim de semana ainda é melhor! Sexta feira foi a chamada "Black Friday" das compras e amanhã será a "Cybermonday" - isto quer dizer que muitos items estão com um desconto espectacular! Por exemplo a máquina de café nespresso Dolce Gusto que comprei no mês passado por 60 libras apareceu ontem na Amazon a metade do preço! Indecente! 

Esta semana a Amazon recebeu muitos pontos negativos da imprensa - agora já não tenho tanta vontade de voltar a visitar o site. O pior é que as alternativas estão a morrer lentamente...

Como é que a Amazon consegue preços tão baixos? A Amazon não paga impostos como as outras empresas porque estudou bem a lição - mudou a sua sede para o Luxemburgo e só abre armazéns onde as cidades ofereçam subsídios de incentivo à construção dos armazéns. Swansea tem um dos armazéns da Amazon, com o tamanho de 11 estádios de futebol! Swansea é uma cidade onde existe muito desemprego, uma vez que dependia muito das minas de carvão e da industrialização que estagnou devido à globalização. Um armazém da Amazon supostamente seria um elemento positivo para a cidade, mas pelos vistos não é assim tão bom como isso. Muitas pessoas imaginam a Amazon como o armazém do Pai Natal, cheio de elfos felizes a embrulharem prendas (já que a maioria das prendas de Natal deste país são compradas na Amazon). A realidade é bem diferente, as pessoas só aceitam trabalhar para a Amazon quando não há mesmo mais nada, já que é o pior emprego possível! Os trabalhadores ficam exaustos, ganham mal e a empresa não oferece segurança nenhuma! Os turnos são de 10 horas e meia a andar de um lado para o outro do armazém e a empacotar coisas como barbies, coleiras de cão e descascadores de banana. Os trabalhadores perdem peso com tantos quilómetros que fazem todos os dias a percorrer o armazém. Um dos trabalhadores disse ao jornal "Guardian" que chegou a andar 24km por dia! Quando começam na empresa, é prometido aos trabalhadores a possibilidade de subir na carreira - "se trabalharem muito conseguirão ser gerentes mais cedo ou mais tarde". Claro que nada disto acontece a não ser que se seja amigo ou familiar de algum chefe importante da Amazon. O ordenado é apenas 19 pence acima do ordenado mínimo do Reino Unido, £6.50/hora (o que dá 8 euros por hora), e quem tire mais do que três dias por mês por doença é geralmente despedido. Não há muitas pausas de trabalho, e quando as há, não interessa onde se está - se for no meio do armazém isso significa gastar uma boa quantia do tempo do intervalo para o almoço para se dirigir ao cacifo. Claro que não é isto que a empresa vem dizer ao público, mas é isto que os jornalistas infiltrados nos armazéns publicaram esta semana nos jornais, colocando a empresa na lista dos assuntos mais comentados da semana.

Claro que a Amazon  não está a fazer nada ilegal, que muitas outras empresas não o façam. O grande problema é que a Amazon está a crescer, e o conceito de compras online está a aumentar exponencialmente, destruindo o comércio tradicional, onde é tudo muito mais caro para além da chatice de muitas vezes se ter de pagar estacionamento. A empresa "Lush" que tem lojas espalhadas pelo país está em tribunal com a Amazon - isto porque considera a Amazon concorrência desleal - já não basta a Amazon  não ter lojas e por isso ter muito menos trabalhadores, não pagar impostos mas ainda por cima faz os possíveis por aniquilar as outras empresas - quando uma pessoa procura um produto da "Lush" na Amazon (que não há), esta automaticamente sugere um equivalente mais barato e supostamente de semelhante qualidade. 

Há um paralelo directo entre o crescimento da Amazon e lojas a fechar / aumento do desemprego na área comercial. Cada vez mais as pessoas fazem compras a partir de casa, e quando vão passear ao fim de semana para verem lojas, geralmente é para tirarem ideias para poderem a seguir chegar a casa e comprarem muito mais barato na Amazon. Já não existem livrarias nem lojas de CD´s no Reino Unido - por causa da Amazon. E o próximo passo qual é? É o supermercado online!

Espero que não aconteça o mesmo em Portugal! 

Insólitos Clínica - O Hamster



A decisão sobre o que fazer quando um animal de estimação morre é muito complicada. Alguns donos optam por enterrar o seu animal de estimação no jardim, enquanto outros preferem a cremação. Alguns animais têm uma história um bocadinho mais complexa, como o caso do hamster Max. 

O hamster Max pertencia à nora da Ann, uma das recepcionistas da clínica. Um dia a Ann recebeu uma chamada telefónica da sua nora, a pedir ajuda imediata - o hamster Max não se estava a mexer e ninguém em casa era capaz de perceber se o hamster estava a dormir ou se estava realmente morto. Como a Ann trabalhava numa clínica veterinária com certeza que seria a pessoa ideal para ajudar. Assim, a Ann, dirigiu-se a casa da nora para examinar o hamster. Ainda lhe perguntei se ela queria levar um estetoscópio. Quando lá chegou, a Ann encontrou a nora lavada em lágrimas sem conseguir falar. O hamster estava em cima da mesa da cozinha. Quando a Ann se aproximou e tocou no hamster teve de conter o riso! O hamster estava tão duro do rigor mortis que provavelmente seria possível pregar um prego numa parede com o seu corpo! Não havia dúvidas, o hamster Max estava morto. A nora ficou ainda mais triste com o veredicto. A Ann, muito calmamente, perguntou se a nora queria que ela levasse o hamster para a clínica para ser cremado. A nora queria antes que o hamster fosse enterrado no jardim, mas tinha um problema - iria mudar de casa em 2 meses e seria complicado desenterrar o hamster do jardim para o enterrar no novo jardim! Assim o que a nora fez foi arranjar uma caixinha e congelar o hamster ao pé das ervilhas, para o poder levar para a nova casa quando chegasse a data da mudança! Agora toda a gente da clínica pergunta à Ann qual foi o menu cada vez que vai jantar a casa da nora!

Insólitos Clínica - prémio de melhor prenda de reforma




Na semana passada, uma das recepcionistas da clínica (que se chama Ann) reformou-se. Depois de muita insistência conseguimos marcar um almoço de despedida, num dos Pubs locais. Qual o meu espanto que a prenda que o resto do pessoal da clínica arranjou para oferecer à respeitável senhora foi, nada mais nada menos,  ....................... um saquinho de berlindes!
E porquê esta prenda, perguntam vocês? Por causa da conhecida expressão inglesa "to lose your marbles" (perder os berlindes) que significa "perder os neurónios" e ficar senil! Assim a Ann não se precisa de preocupar em ficar doidinha com a reforma porque tem um saquinho de berlindes de substituição!

sábado, 2 de novembro de 2013

Que bebida escolher quando se vai a um Pub?



Já ando para escrever este post há algum tempo. A verdade é que quando vou a um Pub nunca sei que bebida pedir e acabo por escolher sempre a mesma coisa. Esta semana resolvi investigar o assunto! Deixo aqui a lista das escolhas mais comuns de bebidas num Pub do Reino Unido:

Vinho

São as mulheres que mais consomem vinho nos Pubs (e homens bebem quase sempre cerveja). Normalmente os vinhos preferidos são do tipo branco ou rosé. Pede-se então um copo de vinho, em copo pequeno ou grande. O empregado de seguida diz uma ou duas marcas e o cliente escolhe (Merlot? Shiraz?). Em muitos Pubs só há uma escolha - o vinho da casa.

Também é muito comum pedir-se um Spritzer - mistura de vinho branco com limonada.

Cervejas

Aqui o assunto complica-se um bocadinho. Há muitas marcas de cerveja comercial, mas também há muitas  cervejas de produção local. Há cerveja de pressão e de garrafa. Geralmente pede-se half pint (1/4 litro) ou one pint (1/2 litro) de cerveja. Fica mal para um homem pedir apenas half pint. No Reino Unido, principalmente entre os homens, existe a tradição das rodadas e consequentemente muita pressão para que se bebam muitas pints de cerveja em poucas horas!

O conhecimento sobre produção de cerveja está para os ingleses como a produção de vinho está para os portugueses. Muitos ingleses têm o sonho de produzir cerveja quando se reformarem e não é difícil encontrar pessoas a conversar sobre os 1001 diferentes tipos de cerveja que existem. A cerveja tem uma papel sociocultural importante, principalmente porque no tempo da guerra era uma das bebidas fáceis de produzir que "matava a fome e a sede", numa altura em que a água potável não estava facilmente disponível.

Existem vários tipos de cerveja:

- "Lager" - é o mais parecido com a nossa cerveja. Geralmente são marcas importadas. As mais comuns são: Fosters, Stella Artois, Carlsberg, Becks, Budweiser, Kronenbourg, San Miguel.. Quem queira  cervejas mais fresquinhas pode optar por uma Corona de garrafa (é bastante popular) ou a Peroni (geralmente de garrafa - é uma cerveja italiana). Também existe a cerveja Cobra (de garrafa) que é uma cerveja indiana muito agradável.

- "Ale" - é a cerveja tradicional inglesa. É escura, com pouca espuma e servida à temperature ambiente. Eu acho o sabor horrível, provavelmente porque não estou habituada. Para este tipo de cerveja costuma haver  produção local. A Ale tem geralmente 5% de álcool. Há uma cerveja Ale de Cardiff que se chama "Brains", o que significa "Miolos"! Um litro de miolos por favor!

- "Bitter" - é um tipo de "ale" com côr um bocadinho mais clara. Também horrível para quem não está habituado.

- "Stout" - cerveja preta, a mais comum é a irlandesa Guiness.

Cidra

Cá a cidra é muito popular e bastante saborosa. Há muitas marcas de produção local e até já há algumas cidras de pêra em vez de maçã. As marcas comerciais mais conhecidas são a Magners e a Strongbow. Podem ser servidas em garrafa ou à pressão, também nas quantidades "one pint" e "half pint".

Alcopops

São bebidas alcoólicas de garrafa para quem não está habituado a cerveja ou vinho. São geralmente bastante adocicadas e fáceis de beber, daí serem da preferências dos jovens  (atenção que é ilegal servir bebidas alcoólicas a menores de 18 anos). Smirnoff Ice e Bacardi Breezer são exemplos de Alcopops.

Combinações

São estas as combinações de bebidas mais comuns:

Shandy - cerveja com limonada
Gin and Tonic
Whiskey and Coke
Vodka and Orange
Vodka and Tonic
Bloody Mary (vodka e sumo de tomate - bah)
Black Velvet - cerveja guiness com cidra
Snake Bite - cerveja lager com cidra
Black Russian - Vodka, Coca Cola e licor Tia Maria
White Russian - Vodka, Limonada e licor Tia Maria

Também muito popular entre as mulheres é a bebida Pimms, um gin frutado que geralmente é misturado com limonada e gelo, mas também pode levar fruta cortada aos bocadinhos, à semelhança da Sangria.

As bebidas não alcoólicas são chamadas de "soft drinks".

Podem ser "still" (sem gás) ou "fizzy"/"sparkling" (com gás).
As bebidas mais populares são a água, os sumos de fruta e a coca cola / pepsi.
Ginger Beer é uma cerveja de gengibre muito popular (sem álcool).
Também estão disponíveis bebidas energéticas como o Redbull.

Os Cafés e Chás!

Os Pubs que servem comida também servem café e chá.
Quando se pede um chá servem-nos por definição o tradicional chá preto com leite.
Os outros chás são chamados de "herbal teas" (camomile, green tea, mint tea) - os homens não bebem "herbal teas" mas bebem muito chá preto com leite. 

Quase ninguém bebe café, só recentemente com as marcas "Starbucks" e "Costa" é que começaram a aparecer pessoas com esse hábito. Os Pubs que servem pequenos-almoços ou almoços geralmente têm café. Claro que o café do Pub é muito mal tirado, por isso nem vale a pena experimentar! Alguns Pubs têm a marca "Lavazza" ou "Segafredo", ou seja até têm uma boa máquina e marca mas geralmente a pessoa ao balcão não sabe tirar café. 

São estas as opções mais comuns:

- expresso single (equivalente ao nosso café), geralmente cheio de água.
- expresso double - tem mais quantidade que o single (mais água).
- americano - caneca de café cheio de água.
- cappuccino
- latte (galão)

Alguns Pubs também têm chocolate quente ("Hot Chocolate"), o equivalente a leite com chocolate "nesquik". Alguns Pubs perguntam se queremos "marshmallows" e "chantilly" no chocolate quente.



É tudo!

A árvore que comeu uma bicicleta


Na Escócia há uma árvore devoradora de bicicletas. Fica numa terra chamada "Brig O' Turk", em que os habitantes evitam divulgar o local para preservar a árvore (e a bicicleta). Tudo aconteceu porque a árvore cresceu no exacto local onde um rapaz deixou a sua bicicleta na altura da Primeira Guerra Mundial. O rapaz não voltou para buscar a bicicleta que acabou por ser "engolida" por uma árvore que se recusou a desviar!

Planos para hoje: fugir do dragão!


Hoje uma das minhas ex-enfermeiras faz anos. A V. queria fazer algo diferente no seu aniversário. Inspirada pela foto acima, a V. pediu-nos para nos encontrarmos no parque aqui da terrinha para fazer uma fotografia parecida, vestidas em onesies (aqueles pijamas de peça única). Em vez do dinossauro, a V. quer adicionar à foto um dragão vermelho (como estamos no País de Gales...). Aparentemente tirar este tipo de fotografias está na moda!

Claro que os planos da V. acabaram por ser adiados por causa da chuva, o dragão terá de fazer a sua aparição na Primavera!

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Insólitos - Acessórios para Gatos


Cá está a invenção do ano, à venda na Amazon por 15 libras. Este babete não serve para o gato não sujar o seu pêlo quando mata ratinhos e passarinhos. Este babete serve para evitar que o gato consiga caçar! Aparentemente funciona porque o gato fica tão envergonhado de aparecer diante dos amigos que nem consegue sair de casa.

O Reino Unido, a Grã-Bretanha, a Inglaterra, a Commonwealth, a Coroa e ainda as ovelhas de quatro cornos

Hoje vou explicar a confusão que é o Reino Unido, ou este conjunto de países! 

Quando vou a Portugal toda a gente diz que eu "venho lá da Inglaterra". Falso. 

A Grã-Bretanha, a Inglaterra e o Reino Unido são zonas diferentes. Mas alguém se incomoda com a terminologia? Sim, os britânicos não gostam de enganos, uma vez que nem de britânicos gostam de ser chamados.



A zona cor-de-rosa da imagem acima é o Reino Unido.

A confusão está no facto de o Reino Unido não ser apenas um país, mas um conjunto de países!



Temos então:

- Inglaterra (England) que muitas vezes é confundida com o Reino Unido por ser a zona mais populosa e incluir a capital Londres;
- Escócia;
- País de Gales (onde eu estou);
- Irlanda do Norte, muitas vezes esquecida pelos ingleses.

No Reino Unido vivem ingleses, escoceses, galeses (e não galegos ou gauleses) e irlandeses-do-norte. Mais facilmente poderíamos dizer que no Reino Unido vivem os britânicos - mas tal termo não é muito recomendado no uso corrente por causar algum mau-estar. Como os irlandeses-do-norte, os escoceses e os galeses não gostam nada dos ingleses, não aceitam a ideia de haver um nome comum para todos os habitantes do Reino Unido. Os ingleses são vistos pelas outras três partes como pérfidos colonialistas que querem ter o poder sobre o mundo, apesar das três outras partes terem um parlamento próprio e poderem interferir nas leis inglesas ("regionais"), quando o contrário não se aplica. Por outro lado os ingleses consideram os outros três países como zonas rurais subdesenvolvidas, em que os habitantes passam demasiado tempo com as suas ovelhas! 

A Escócia é a parte mais organizada neste objectivo da independência, conseguindo oferecer privilégios aos seus habitantes que a Inglaterra não consegue dar aos seus. Um exemplo disso são as propinas universitárias, um aluno inglês que frequente uma universidade em Edimburgo tem de pagar muito mais propinas do que um aluno escocês! A Escócia detesta tanto a Inglaterra que está a organizar um referendo para a independência total de Londres.

Infelizmente para esta gente, do ponto de vista internacional são todos considerados farinha do mesmo saco. Todos os habitantes do Reino Unido são cidadãos britânicos com o mesmo tipo de passaporte (não há passaportes galeses ou escoceses). São todos residentes do Reino Unido da Grã Bretanha e da Irlanda do Norte (este é o nome oficial que deveria aparecer no mapa).

Então afinal o que é a Grã-Bretanha?


Tal como demonstrado na imagem acima, a Grã-Bretanha é a ilha da direita. "Grã-Bretanha" é um termo geográfico! É a maior ilha do grupo das Ilhas Britânicas. Às vezes o termo é usado "por engano" em vez de Reino Unido para excluir os irlandeses-do-norte, fazendo-os sentir ainda mais isolados.

A segunda maior ilha das Ilhas Britânicas é a Ilha da Irlanda, que contém dois países - a Irlanda e a Irlanda do Norte. O termo Irlanda do Sul não é utilizado, talvez porque os "irlandeses-do-sul" não reconheçam a Irlanda do Norte (muitas inimigos esta gente faz). Assim, quando se diz que alguém é irlandês, presume-se imediatamente que pertença à Irlanda do Sul.

Existem outras ilhas que não fazem parte da Grã-Bretanha nem da Irlanda, mas que fazem parte do Reino Unido, como por exemplo a ilha de Wight (onde há um festival de música muito famoso), a ilha de Anglesey (onde o príncipe Harry tem uma casa) e os grupos de ilhas escocesas: Ébridas, Shetland, Orkney e Clyde. As ilhas escocesas são bastante áridas, o seu clima e inacessibilidade tornam-nas pouco visitadas. Supostamente são sítios onde é relativamente fácil arranjar emprego! Quando comecei a procurar emprego no Reino Unido haviam umas tantas vagas para estas ilhas!

Mas o território britânico não se fica por aqui, ainda há mais para explicar!

Por exemplo, porque é a Rainha aparece nas notas do Canadá? Já não era tempo para se actualizarem? Não, porque o Canadá pertence à CommonWealth - parte do antigo Império Britânico.


No passado o Império Britânico ocupou uma grande percentagem do território mundial. Como se pode ver no mapa acima, tudo o que está a cor-de-rosa já pertenceu ou pertence a Sua Majestade. 

Alguns países como o Canadá e a Austrália conseguiram a independência de forma pacífica, prometendo o reconhecimento da coroa britânica como "entidade acima de tudo e todos" em troca de um parlamento autónomo e independência. E aqui vamos dar ao tema da famosa coroa britânica, esse termo transcendente que ninguém entende ao certo o que significa. Não estou a falar da "coroa" que os turistas fotografam na Torre de Londres. Falo da "coroa" como entidade superior, um conceito abstracto que é reconhecido como poder máximo com autoridade legal sobre qualquer governo. A coroa é uma "corporação" que Deus criou para delegar responsabilidades. O representante na Terra é o monarca a quem o poder é conferido num acto de coroação numa cerimónia cristã. Isto quer dizer que o Reino Unido é de facto uma teocracia (Deus é reconhecido como superior governamental) em que a religião regente é a Anglicana. Na prática nada disto interessa em termos governamentais, aparte das ocasiões formais e alguma aura de mistério causador de receitas para o turismo londrino.

Mas voltando ao exemplo do Canadá, as nações que no passado pertenceram ao Império Britânico mas que pacificamente se distanciaram garantido aceitação da ideia da coroa, constituem a chamada CommonWealth. Se formos traduzir este termo à letra temos "A Riqueza Comum". São eles o Canadá, a Papua Nova Guiné, a Austrália, a Jamaica, as Ilhas Salomão e muitos outros países (ao todos são 54). Todos eles aceitam a Rainha do Reino Unido como entidade a respeitar e muitos destes países têm a sua própria monarquia. No fundo pertencem todos ao mesmo Reino! Pertencer à Commonweath é voluntário, a Irlanda (do sul) não estava para aturar estas irrelevâncias e formalidades, deixando o "Reino" em 1949. 

Existem algumas vantagens em pertencer à Commonwealth principalmente em termos de imigração. Um dos termos usados para mencionar pessoas que não pertençam à Commonwealth é nada mais nada menos que ... ALIENS!! Outras vantagens que os commonwealthenses têm relativamente aos aliens são de poderem votar no Reino Unido e poderem juntar-se às forças armadas. Na prática nada disto interessa porque o Reino Unido não tem nenhum poder político sobre estes países.

Continuando com o território, para além da Commonwealth e do próprio Reino Unido, existem ainda três ilhas que fazem parte desta confusão, denominadas por Dependências da Coroa.

São elas a Ilha de Man, Ilha de Jersey e Ilha de Guernsey, todas na costa da Grã-Bretanha. São consideradas zonas independentes com autonomia local. O Reino Unido pode interferir em algumas das suas leis embora não seja muito fácil. Legalmente estas ilhas não fazem parte do Reino Unido (nem da União Europeia). Não são assim cidadãos britânicos! 


Estas ilhas são um pouco "misteriosas" para os habitantes do Reino Unido. São consideradas paraísos fiscais e são sede de muitos esquemas fraudulentos. Comparativamente com o Reino Unido, os impostos aqui são mais baixos.

Para mim a Ilha de Man é a mais familiar, talvez por ser a origem de uma raça de gatos sem cauda (Manx cats) e ovelhas com quatro cornos. A bandeira da ilha tem uma insólita imagem - três pernas unidas em ventoínha. As ilhas de Jersey e Guernsey são estranhamente muito mais perto da França do que da Grã-Bretanha. 



Já acabou?

Não, ainda temos Gibraltar! A famosa península no sul de Espanha com os seus macacos, rochedos e tensões diplomáticas entre o Reino Unido e a Espanha. E ainda temos as Ilhas Falkland ou Malvinas, com igualmente constantes negociações entre o Reino Unido e a Argentina. Estes territórios fazem parte de um último grupo chamado Overseas British Territories - Territórios Britânicos Do Outro Lado do Mar - também chamados colónias da coroa. Estes territórios não são independentes e recebem ajuda económica e militar britânica. Aqui os habitantes são cidadãos britânicos!

Para além de Gibraltar e Malvinas, existem outras tantas ilhas que pertencem a este grupo, que têm em geral no canto superior esquerdo da sua bandeira uma mini bandeira britânica. Até na Antártica há um pedacinho de território que pertence a este grupo!

Agora é que já acabou!