Este é um blog de uma veterinária portuguesa a viver no País de Gales, no Reino Unido! Para amigos, familiares, curiosos e ainda pessoas que estejam a ponderar semelhante experiência!
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Hoje é o funeral da Margaret Tatcher!
Na sala de espera da clínica veterinária:
Cliente: "ai hoje não dá nada de jeito na TV e na rádio..."
Recepcionista: "mas hoje é o funeral da Margaret Tatcher!"
Cliente: "precisamente!"
Recepcionista: "pois eu acho que a Tatcher foi uma mulher fenomenal!"
E fez-se silêncio!
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Não querem tomar a vacina? Consequência: um surto de sarampo em Swansea!
Se 99% das crianças forem vacinadas, não é grande problema se uma ou duas ficarem sem a vacina, mas não foi bem isso que aconteceu aqui em Swansea. No final dos anos 90 saiu uma notícia num jornal sobre a possibilidade da vacina do Sarampo causar autismo nas crianças. A partir daí muitas pessoas ficaram com medo e evitaram a vacina! Claro que o inevitável aconteceu. Neste momento existe um surto de Sarampo, com 600 casos confirmados na zona de Swansea. Não se fala doutra coisa nas notícias! Os centros de saúde e os hospitais estão a convidar toda a gente (adultos e crianças) a aparecer para receber a vacina. O Sarampo é uma doença altamente contagiosa: 90% das pessoas não vacinadas que estejam no mesmo espaço que uma doente (que pode estar no período assintomático) vão apanhar a doença. A doença causa tosse, manchas vermelhas no corpo, conjuntivite, febre e constipação. Para os que tenham um sistema imunitário não muito forte podem surgir complicações graves!
Felizmente eu tenho a vacina!
E mais outra caixa de chocolates!
Lá está, a única altura em que recebo chocolates - quando faço a eutanásia de um animal de estimação. Começo a associar o chocolate ao falhanço profissional - não me podem antes dar uma garrafa de vinho?
segunda-feira, 11 de março de 2013
O Meu Segundo Funeral Aqui no Reino Unido
No mês passado o pai da Hannah (uma das enfermeiras da clínica) morreu inesperadamente devido a consequências de uma gripe. A Hannah não foi trabalhar durante 10 dias. Aqui têm-se direito a três dias de licença (remunerados ou não dependendo da simpatia do empregador, chama-se a "compassion leave") e depois se for necessário usam-se os dias de férias (se os houver). Não é muito tempo depois de uma situação de choque como esta. Quando estava a trabalhar no matadouro um dos empregados não pode tirar o dia para ir ao funeral da mãe, foi ameaçado se assim o fizesse escusava de voltar à fábrica no dia seguinte. Que sociedade é esta que não respeita os mortos nem os familiares.
O corpo do pai da Hannah ficou numa "Chapel of Rest" ("capela do descanso") durante uma semana até ao dia do funeral, o que foi considerado muito rápido. Aqui os funerais demoram bem mais de uma semana para serem organizados. Quando eu digo que acho isso muito tempo os ingleses ficam sempre muito chocados porque estão habituados à ideia de haver um "intervalo" grande.
O funeral demorou aproximadamente 30 minutos e decorreu num crematório, que tem uma sala para a cerimónia (foto).
O caixão estava num altar envolvido por uma cortina eléctrica que no final lentamente se fechou. O Reverendo (Revd. Father Davies, Vicar of Pembrey) disse umas palavras sobre o pai da Hannah e a seguir todos nos juntámos para cantar um salmo e dois hinos. Eu tentei seguir o folheto que nos tinham dado, mas a verdade é que não consegui, por isso tive de fingir. No final fomos cumprimentar a família da Hannah. Voltámos ao trabalho, mas quem quisesse podia seguir com a família da Hannah para um "buffet" num hotel ali perto. Quando eu estava a sair da igreja em direcção ao carro, outro funeral estava a começar. Viam-se outras pessoas a entrar dentro da igreja seguindo outro caixão. Mas desta vez a música saída da igreja era bem diferente. Era a música do Darth Vader da Guerra das Estrelas, tam, tam tam tam, tam tam tam, tam tam tam.
Só por curiosidade, este foi um dos hinos cantados durante a cerimónia.
O Lord my God, When I in awesome wonder,
Consider all the worlds Thy Hands have made;
I see the stars, I hear the rolling thunder,
Thy power throughout the universe displayed.
Then sings my soul, My Saviour God, to Thee,
How great Thou art, How great Thou art.
Then sings my soul, My Saviour God, to Thee,
How great Thou art, How great Thou art!
When through the woods, and forest glades I wander,
And hear the birds sing sweetly in the trees.
When I look down, from lofty mountain grandeur
And see the brook, and feel the gentle breeze.
And when I think, that God, His Son not sparing;
Sent Him to die, I scarce can take it in;
That on the Cross, my burden gladly bearing,
He bled and died to take away my sin.
When Christ shall come, with shout of acclamation,
And take me home, what joy shall fill my heart.
Then I shall bow, in humble adoration,
And then proclaim: "My God, how great Thou art!"
Porton Down e as Experiências Secretas no Reino Unido
Porton Down é a mais antiga instalação militar do mundo que efectua experiências com armas biológicas e gases letais que possam ser utilizados em tempos de guerra. Situada nos idílicos campos perto de Salisbury, o secretismo e a segurança à entrada das instalações não ajudam à propagação de rumores sobre as experiências realizadas.
Nesta última década as vítimas que se voluntariaram em Porton Down (militares de baixo ranking) têm aparecido ao público descrevendo como foram ludibriados a participarem em experiências pouco simpáticas por meia dúzia de tostões, tendo ficado com problemas de saúde para o resto da vida. O governo defende-se dizendo que os registos anteriores a 1980 não foram guardados de modo que não podem confirmar ou negar as alegações, abrindo recentemente uma linha S.O.S. para os "traumatizados".
Pelo que se tem dito Porton Down fez experiências sobre os efeitos do LSD, gases neurotóxicos, bactérias e vírus em mais de 25000 "voluntários" ingleses. Algumas destas pessoas não sobreviveram, tal como o famoso caso do soldado Maddison de 20 anos que teve uma morte horrível devido ao gás Sarin. Na altura diziam aos voluntários que as experiências serviam para descobrir a cura para a constipação.
De 1945 a 1989 efectuaram-se experiências com gases neurotóxicos em 3400 pessoas em Porton Down. Esta investigação começou após o desfecho da Segunda Guerra Mundial quando foram encontradas grandes quantidades desses gases na Alemanha. O Reino Unido sentia-se pouco preparado e informado acerca destes agentes altamente letais e não querendo ser apanhado de calças na mão na altura da Guerra Fria autorizou estas experiências que produziram toneladas de informação sobre o assunto. Os testes iniciais tentavam descobrir a concentração mínima eficaz do gás Sarin, sendo que colocavam os voluntários em câmaras de gás e observavam os efeitos a exposições gradualmente crescentes. A investigação também tentava determinar os efeitos psicológicos e perda de aptidão em situação de combate aquando da exposição. O gás Sarin causa asfixia, vómitos, perda de controlo muscular, convulsões e morte.
Hoje em dia as instalações de Porton Down funcionam mas a organização defende-se dizendo que no local apenas se investigam estratégias de defesa. As organizações de direitos dos animais chocaram-se quando descobriram que quando Porton Down terminou as experiências em pessoas começou as mesmas com animais. Porcos a morrer com explosivos na barriga, macacos mortos pelo antrax, etc etc etc. Hoje em dia supostamente só têm uma dezena de animais para experiências.
Existem outras histórias associadas a Porton Down. Por exemplo, a ilha escocesa de Gruinard esteve contaminada com antrax durante 50 anos e mesmo depois do projecto de descontaminação de 1986 em que "empaparam" a ilha com formaldeído, é de conhecimento geral que Gruinard não é sítio de visita, pois os esporos de antrax são mesmo muito difíceis de eliminar.
Também há quem diga que Porton Down libertou por via aérea cádmio fluorescente pela população inglesa para estudar a "geografia" de um ataque aéreo, não se importando com o facto de o cádmio não ser propriamente um agente inerte à saúde humana e ao meio ambiente.
Fora aquilo que a gente não sabe!
Fora aquilo que a gente não sabe!
Estes ingleses!
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sábado, 2 de março de 2013
Vou a Derry na Irlanda do Norte!
Abril é o mês em que vou passear para Derry/Londonderry, a segunda cidade mais importante da Irlanda do Norte. No meu emprego ouvi várias vezes "é melhor não ires, aquilo pode ficar perigoso de um momento para o outro". Tal como há muita gente que depois dos ataques de Londres se recusa a andar de metro, as imagens de violência da Irlanda do Norte assustaram e marcaram os ingleses de forma que uma visita ao local é inconcebível.
Mas este ano Derry/Londonderry é definitivamente um sítio a visitar, porque para além do lado histórico e da beleza natural, Derry/Londonderry é a cidade europeia da cultura 2013.
Um dos episódios importantes na história de Derry/Londonderry é o cerco de 105 dias imposto pelo rei católico João II em 1689. Os habitantes de Derry/Londonderry que apoiavam o Protestante William of Orange sobreviveram comendo tudo o que lhes aparecia à frente, desde cães que se alimentavam de cadáveres a outros petiscos como os exemplificados no menu da imagem acima. Durante o cerco morreu quase 1/3 dos habitantes de Derry, mas a resistência manteve-se com a ajuda das muralhas que envolvem a cidade num quilómetro e meio. Estas muralhas originaram um terceiro nome para a cidade, "Maiden City", que significa "cidade nunca conquistada". Londonderry é o termo utilizado pelos unionistas enquanto que Derry é utilizado pelos nacionalistas. Para não ofender ninguém, a cidade aparece sempre como "Derry/Londonderry".
Fonte: Tom Sweeney´s Travels Blog
domingo, 3 de fevereiro de 2013
O Homem Que Encontrou Vomitado de Baleia e Ficou Rico
Ken Wilman estava a passear com a sua cadela Madge pela praia de Morecambe no Reino Unido quando encontrou uma pedra esquisita. Ken não ligou muito mas a verdade é que a cadela não largava a pedra talvez porque esta tivesse um cheiro horrível. Como Ken nunca tinha visto nenhuma pedra assim achou melhor levá-la para casa (há pessoas que não se importam com coisas de aspecto nojento e malcheiroso). Quando começou a pesquisar sobre o que seria aquele amontoado amorfo de pedra mole, Ken chegou à conclusão que tinha encontrado um bocado de ambergris e que lhe tinha saído a sorte grande. Ambergris é um material produzido pelo sistema digestivo das baleias (com um bocado de esperma à mistura) para as proteger de objectos aguçados como dentes de lulas e que acaba por ser vomitado mais cedo ou mais tarde (que bom, vomitado de baleia). Mas o mais incrível é que a ambergris é uma matéria prima muito valorizada para a indústria de perfumes. Ken começou a receber ofertas generosas pela sua descoberta, já tem uma de 50 000 euros mas Ken pensa que pode conseguir vender por 200 000 euros! Já sei qual o meu próximo projecto! Treinar cães para encontrar ambergris!
Os Cães que Mordem Crianças
Esta semana em Portugal anda tudo maluco por causa do abate de um cão que matou uma criança. Aqui no Reino Unido também existem acidentes desse tipo, de vez em quando uma criança é mordida por um cão. O resultado é sempre o mesmo - o abate do cão - não há discussão possível. Não interessa se o cão é culpado ou não.
As crianças são mordidas por ignorância (dos próprios e da família), por isso o Kennel Club criou uma campanha com material educativo (posters, um jogo interactivo para crianças e material de apoio ao professor) para instruir as crianças no que fazer quando há uma situação conflituosa com um cão. Está em inglês mas é muito fácil de entender. O jogo explica o que fazer quando um cão vadio vem atrás de nós na rua ou porque é que não é boa ideia saltar para o quintal vizinho para ir buscar uma bola quando existe um cão de guarda.
O material está disponível no seguinte website:
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
A Ida ao Cinema - Os Miseráveis
Esta semana a clínica resolveu organizar uma ida ao cinema para ver o famoso filme "Os Miseráveis". O povo inglês adora musicais e são capazes de ir ver o mesmo musical não sei quantas mil vezes. Quando alguém da minha família vem visitar-me há sempre alguém que pergunta "vão a Londres ver um musical?". Pelam-se por um musicalzinho. É uma festa. Por isso, quando "Os Miseráveis" estreou nas salas de cinema inglesas toda a gente ficou muitíssimo entusiasmada.
Uma das recepcionistas da minha clínica resolveu organizar uma ida ao cinema e marcou os bilhetes com antecedência para a 3a feira passada. Quando chegámos ao cinema uns poucos de nós foram buscar um copo de vinho - pois é, agora no cinema pode-se levar uma bebida alcoólica para dentro da sala, claro que a preço inflacionado. Lá peço um copo de vinho e qual a minha surpresa que o funcionário despeja uma garrafa de vinho das pequenas inteirinha para dentro de um copo de plástico. Parece que estou na Queima das Fitas! Isto vai ajudar a passar o filme que dizem ser um bocadinho longo. E se for chato assim posso dormir. Lá entrámos na sala que estava com lotação mais do que esgotada. Haviam muitos grupos de senhoras com alguma idade. O pessoal da minha clínica ocupou uma fila inteira (escusado dizer que metade destas pessoas provavelmente não foram ao cinema nos últimos 5 anos, estando muito entusiasmadas). Começa o famoso filme, os actores a cantar e a Hathaway põe toda a gente a chorar. Aprendemos que o Russell Crowe canta mal e não tem vertigens, ficamos com pena do Hugh Jackman que ficou sem beber água durante três dias para poder ficar com mau aspecto numa das cenas (não devem ter maquilhagem lá nos States). A minha recepcionista secreta-me que o rapazinho sardento da segunda parte do filme andou na escola (Eton) com o Príncipe William (ou será o outro príncipe, não me lembro). A cena final é muito emocionante. Olho para o lado para ver se está alguém a chorar para ter tópico de conversa para o dia seguinte, mas fico desiludida porque nada vejo nesse sentido. Se calhar o vinho não foi suficiente. Até que uma senhora que está sentada à minha frente começa a convulsivamente a chorar a alto som! Puro entretenimento! É realmente um filme na categoria do "Titanic". No final as luzes retornam à sala e acontece uma cena à avião - toda a gente bate palmas!
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